Comecei
a imaginar como é viver de acordo com a Huna.
Senti naquele momento, que a vida é plena
de alegria; passei a sentir e ver de modo diferente;
o pensamento tornou-se mais claro e a percepção
em relação às pessoas deixou
de ser pessimista e os julgamentos tornaram-se suaves.
Imaginei então, como seria me colocar no
lugar de cada pessoa. Seria olhar com os olhos do
outro e com um outro Ike? Foi como se meu sonho
básico de vida estivesse sofrendo modificações,
o que trazia mais alegria ainda. Seria enxergar
o outro e todo ser humano como um ser único?
Acabou a dúvida sobre a natureza individual
e senti que todos nós temos um guardião
(Aumakua) dentro de nós. Então perguntei:
Quem sou eu (uhane) para julgar o que é certo
ou errado, o que é bom ou ruim, o que é
melhor ou pior, por que ser um juiz? Quando julgo
estou projetando no outro, as memórias contidas
no uhinipili, minhas crenças, minhas experiências,
aquilo que eu trouxe para o meu sonho básico
de vida.
Quem
sou eu? Se não tenho resposta para essa pergunta,
como acreditar que posso saber quem é o outro
e o que é melhor para ele? No momento que
faço essa reflexão, percebo que como
eu, cada um traz dentro de si em potencial, as respostas
e que nosso papel nessa vida é procurar encontra-las.
À
medida que desenvolvo em mim a tolerância,
que suavizo os julgamentos, começo a introjetar
novos valores modificando meu ike (plantei uma nova
semente). Estou dando assim, um passo no novo caminho,
eliminando das memórias as crenças
limitadoras. Olhando-me e voltando para meu interior,
poderei modificar-me, e então, olhar para
o outro procurando sentí-lo como ele é,
sem criar expectativas de que possam ser “como
eu gostaria que fosse”, sem achar que o melhor
para ele seria ö que eu penso”.
Somos
responsáveis por nosso caminho nesta vida,
e só posso responder e me responsabilizar
pelo meu. Sinto então que olhar para o outro
não é deixar de perceber o que tem
de ruim, mas é também enxergar o colorido
e a beleza que ele possui; é perceber a vida
na natureza e ao meu redor; isso me faz viver com
alegria e com disposição para as ações
que provocam mudanças interiores.
Enxergar
o “copo meio cheio e não meio vazio”,
muda minha perspectiva e me torna mais flexível,
o que provoca mudanças no sonho básico
de vida, estando em primeiro lugar conhecer o próprio
Ike, admitindo-se que cada um tem o seu. Essa é
a liberdade que trazemos em potencial, registrada
através das gerações, nas marcas
mnêmicas (memória genética).
Para que possamos sentir o real significado de “não
ferir o outro”, precisamos aprender a conviver
com outros ikes, respeitando seus conteúdos.
Tenho
pensado muito sobre as diferenças existentes
nas pessoas que me procuram no dia a dia do consultório;
tenho percebido e estado mais atenta para entender
e aceitar cada um como um indivíduo e sua
dinâmica. Tenho acompanhado algumas pessoas,
vendo suas necessidades de mudanças e como
as desarmonias estão presentes na maneira
de pensar (a vida é aquilo que você
pensa que é).
Hoje
de manhã, voltando ao consultório
depois de um feriado prolongado, olhei para as plantas
que tenho em meu jardim e as vi murchas e sem vivacidade.
Depois de regada a terra, voltaram no decorrer da
manhã a ser o que eram. Plantar as sementes
cuidando da terra diariamente para que cresçam
e se tornem plantas, é como dar um novo colorido
aos nossos pensamentos, numa diferente percepção
e escolha. É permitir que a energia circule,
é alimentar o unihipili (coração)
com mana (água em movimento), é perceber
que tudo é possível, permitindo modificações
em nós. A ação de regar a terra
ressecada pelo calor foi o que propiciou às
plantas meios de continuarem seus ciclos de vida.
As
nossas ações provocam as mudanças
que queremos em nossa vida. Quando a ação
é adequada à situação,
a energia flui naturalmente. Ao olhar e depois agir
com as plantas, senti que qualquer mudança
na vida depende de uma ação com um
objetivo definido.
Através
da ação, o fruto da experiência
nos conduz à harmonia entre o unihipili e
o uhane. O fluir da vida se faz em mim, desde que
eu perceba e me permita sentir que ela seja vivida
como “um copo meio cheio”.