Duas Faces

Nenhum homem ou mulher sabem conscientemente, qual será o dia de sua morte. A mortalidade, o nascimento e morte, é a estrutura na qual a alma, por agora, se expressa na carne.

Nascimento e a morte contêm, entre eles, a experiência terrena que percebemos como estar acontecendo dentro de um determinado período de tempo, através de várias estações, que envolvem percepções únicas dentro de áreas de espaço. São enfrentadas com outros seres humanos, todos, de uma forma ou de outra, compartilhados uns com os outros pela interseção do eu, do tempo e espaço. Nascimento e a morte têm, portanto, uma função, intensificando e focalizando a atenção.

A vida nos parece mais preciosa, em termos corpóreos, por causa da existência da morte. Parece-nos mais fácil não ter uma ideia consciente do ano ou da época em que nossa morte possa ocorrer. Inconscientemente sabemos, mas escondemos este conhecimento. Ele é oculto por muitas razões, mas o fato da morte pessoal, nunca é esquecido. O pleno gozo da vida seria impossível na estrutura da realidade terrena sem o conhecimento da morte. Temos a oportunidade de estudar a vida e de experienciá-la mais plenamente do que jamais o fizeram em qualquer outra época desta existência. Sua intensidade e brilho, seus contrastes e similaridades, alegrias e tristezas, estão aqui para serem percebidas por nós, cujos olhos estão abertos por causa do possível pronunciamento de algum médico. Essa intensificação, apreciada e compreendida, e a experiência da vida e de viver, quando aceitas incondicionalmente, podem trazer-nos, nesta vida, outro nascimento no qual os prognósticos médicos não têm significado. Espiritualmente, uma sentença de morte dada é uma outra chance da vida, se estivermos livres para aceitar a vida com todas as suas condições e sentir suas dimensões plenas, pois apenas isso poderá rejuvenescer nosso eu espiritual e físico.

Continuaremos a existir e a realizar dentro do amor que sentimos, na estrutura total de nossa existência, esta vida é uma porção brilhante, eternamente única e preciosa. Mas, apenas uma porção, da qual emergiremos com alegria e compreensão se morrermos amanhã ou daqui a muitos anos. A escolha de vida e morte é sempre nossa. Viver ou morrer são faces da existência eterna, sempre cambiante, contudo, somos viajantes, seja qual for nossa posição.

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