Ode a uma Rã

Coaxe, coaxe, pequena rã
Lá embaixo, em sua lodosa moradia.
Você sempre pensa em nós?
Nós a agitamos e a inquietamos
Com nossas guerras, ganância e desperdícios,
Com nossa pressa para a morte em louca velocidade?
Você imagina nosso destino,
De quem prega o amor e pratica o ódio;
De quem teme e desconfia dos que não são como nós,
Mesmo que morem ao nosso lado ou do outro lado do oceano?
Você ri e ri de como falamos
De paz, enquanto a mão segura uma pedra
Pronta a golpear nosso vizinho,
Só porque ele é amarelo, negro, ou vermelho?
E daqueles que gritam, “precisamos nos desarmar!
Nossos inimigos nunca nos farão mal.
Ao verem que não temos armas nem meios de defesa,
Ficarão felizes permanecendo em suas próprias cercas.”
Ou daqueles que dizem, “atacar! Lutar!
A eles mostraremos que todo poder é certo.
Afinal, quem se importa com radiação nuclear?
O importante é provar que somos a nação mais poderosa! ”
Ah, homens dizem isto e dizem aquilo,
Alguns mudam de lado, outros são imutáveis.
E alguns simplesmente se glorificam andando na ponta dos pés,
Mas poucos vão além da grossa ponta de seus narizes,
Gritam e deliram, em ardentes discursos,
E pregam, e pregam, e pregam, e pregam.
O que se alcança com mil palavras?
E onde estão as pegadas dos pássaros?
Palavras não cultivam para colheitas, nem vestem o pobre,
Nem encontram a cura para a doença enganosa.
Nem podem curar o doente ou alimentar as crianças,
Ou construir o açude, ou manejar a enxada.
Ah, elas têm um lugar, eu reconheço,
Mas a palavra jamais se igualará à ação.

Sim, é a ação que conta e não o que dizemos.
Precisamos agir, fazer e guiar o caminho
Por AÇÕES! Se esperamos viver integralmente
Num mundo sem ódio, sem vingança ou sem muro.
Nós realmente acreditamos em Direitos Humanos,
Sejam eles, de negros, brancos, amarelos ou mulatos?
Sinceramente, achamos que poderemos viver sem guerras,
Na confiança e na eterna paz?
Mas então, não haveria necessidade da fome, da doença ou do medo;
E a morte assim, para muitos, precisaria estar tão perto?
E se assim fizermos vamos AGIR! E faremos desta velha Terra
Um lugar onde a verdadeira alegria estará ao lado de cada nascimento.

E se nada fizermos? E, se apenas sentarmos e esperarmos,
Até que bombas comecem a cair e percebamos que é tarde demais?
Ah, pequena rã, estas perguntas eu também as faço,
Lá, sentado no trabalho, lá na direção de meu carro.
E, se estourarmos nossas terríveis e monstruosas bombas,
Você permanecerá aí sentada, serena, paciente e calma?
Ou apenas rirá, pensando em quando
O homem não mais atormentará a Terra?
Mas, se reconhecermos a Terra como nossa Mãe,
E todas suas criaturas como irmãos e irmãs,
A terra, o mar e o céu como companheiros,
E a nós mesmos como jardineiros, cujo papel é cuidar,
Então, talvez com amor, conduzidos pela AÇÃO,
Possamos assim, pequena rã, fazer a Terra funcionar.

Nota:
Serge King encerra seu livro “Urban Shaman com este poema que é um apelo ao ser humano no sentido de desenvolver suas qualidades espirituais, transformando a Terra num mundo onde se viva mais em harmonia e paz.

O Conhecimento dos Segredos da Vida