Associação de Estudos Huna

Posts by Antônio Telmo De Toni

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Minha cura pela Prece-Ação Huna

Depoimento*

Aos vinte e seis de agosto de 2009, recebi um rim de um doador vivo, sem nenhum grau de parentesco e nem de grande amizade; este é um fato incomum nos dias de hoje. Nasci com uma síndrome que se chama “Rim Policístico”.

Com o passar dos anos, o rim aumenta de tamanho, o que prejudica seu funcionamento. No meu caso eram os dois rins. Pela má função renal, outros órgãos são atingidos. Com o agravamento da situação, o portador dessa síndrome tem que se submeter a um tratamento para filtragem do sangue que se chama hemodiálise. A cura depende de transplante renal (de cadáver ou doador vivo e tem que ser compatível).

Durante anos de estudos sobre Huna e suas maravilhosas práticas, aprendi na Huna a importância da fé sem dúvida (paulele) e suas consequências; também fui abençoado ao ter a oportunidade de conhecer e praticar um ato de amor e fé que é a Prece-Ação. Esta prática sintetiza, a meu ver, todos os conceitos e ideias sobre a Huna. Aprendi a necessidade de harmonizar Uhane, Unihipili e Aumakua e a acreditar que todo poder vem de dentro, que o princípio Mana do Xamanismo Havaiano, tem que ser vivenciado e estudado em todos os seus detalhes e conceitos. Este despertar em mim se deu quando o meu médico disse, em outubro de 2008, que devido ao meu tipo sanguíneo (0+), a dificuldade para encontrar um doador (cadáver) era muito grande e um doador vivo, mais ainda. Naquele dia começou a minha mudança com o aumento da fé na Prece-Ação.

Os médicos especialistas e conceituados não entendiam como um homem com rins pesando três quilos cada um (total seis quilos), estava sem hemodiálise, a uréia e a creatinina estavam controladas (fatores estes primordiais no funcionamento dos rins) e urinando perfeitamente. Descrevo estes detalhes para um entendimento maior, pois um ser humano nestas condições já estaria fazendo hemodiálise há pelo menos a três anos. Ao receber a notícia do médico não me abalei, pois na mesma hora, formulei um quadro-imagem em que eu, idoso, estava junto de minha esposa, netos e todos muito felizes. Enviei para o unihipili a imagem e juntos decidimos continuar vivos para cumprir nosso sonho básico de vida.

Naquele dia, a Prece-Ação para mim passou a ter outro significado; não era mais uma prece e sim um alimento de fé e veio a certeza de que eu estava curado. Do mês de dezembro de 2008, até junho de 2009, tive crises semanais, quando não diárias, de cálculos renais, em sua maioria do tamanho de um feijão e devido a minha harmonia com o Unihipili, os mesmos eram eliminados sem medicamentos e sem dores excessivas. Este fato fez o meu médico apenas olhar para mim e sorrir sem entender nada, pois a cada cálculo eliminado, os rins diminuíam a capacidade de filtrar devido ao estado precário dos mesmos (comprovado por urutomos digitais).

No entanto, esta era a verdade da medicina verificada pelos resultados dos exames que chegavam às equipes médicas, mas não era a minha verdade, pois na formulação da prece eu me via plenamente curado. Por isso, os exames laboratoriais não eram compatíveis com as imagens digitais apresentadas aos doutores. Já mencionei anteriormente, o que disse meu médico sobre a dificuldade de encontrar um rim para mim, também relatei que a Prece-Ação se tornou meu alimento de fé e cura.

Recebi naquele ocasião inúmeras preces de cura dos Grupos Kanaloa e Pirâmide (irmãos), preces que me deram mana, força, fé, paz, calma, saúde, bem-estar, harmonia, coragem, amor, fim do medo e fim da dúvida. Foi em uma noite de oração (abril de 2009) que eu senti através dos “cordões-aka”, que uma chuva de bênçãos penetrou em mim, de uma tal maneira que eu nunca conseguirei descrever; tive a certeza de que a cura seria imediata. No dia seguinte, às 8h, o telefone tocou em minha casa e um amigo disse que estava disposto a doar um rim para mim. Em São Paulo foram efetuados exames para ver a compatibilidade entre nós.

O resultado deste exame já percorreu diversos centros de nefrologia, pois foi surpreendente: cem por cento de compatibilidade, ou seja, eu com 4 7 anos e o meu amigo com 32 anos, fomos considerados pela medicina, irmãos gêmeos da mesma placenta. O resultado do transplante foi positivo. Atualmente vivo muito bem, estou totalmente curado e sei que fui cem por cento responsável pela decisão de ficar vivo para cumprir o meu sonho básico de vida. A Prece-Ação, quando praticada com amor e fé, é capaz de curar e hoje tenho a certeza de que o mundo é o que eu penso que ele é, como ensina o princípio de Ike.

Amama – *Paulo Rogério F. Brito

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Aloha e Mahalo

Aloha e Mahalo
[Pronúncia: loh’ hah e mah hah’ loh]
Por Antônio Carlos Cardoso (*)

Se você quiser aprender duas palavras em havaiano, aprenda estas: Aloha e Mahalo. Estas são duas das mais importantes palavras na língua havaiana, representando um tanto quanto dos valores culturais.

No pensamento havaiano, as palavras possuem o mana [pronúncia: mah’ nah], que significa o poder espiritual ou divino de cada um, e aloha e mahalo estão entre as palavras mais sagradas e poderosas. Use estas palavras frequentemente, pois elas podem melhorar e transformar a sua vida.

Mas seja cuidadoso ao usá-las, use APENAS se você verdadeiramente sentir aloha ou mahalo. Não explore estas palavras para ganhos pessoais, nem as coloque de forma frívola, usando-as sem necessidade ou sinceridade.

Aloha e mahalo são quase que indescritíveis e indefiníveis como palavras únicas, difícil elas serem entendidas, elas devem ser experimentadas, sentidas.

O mais profundo e sagrado significado está sugerido na raiz gramatical destas palavras. Lingüistas diferem em opinião quanto ao significado e origem, mas o que escrevo aqui me foi dito pelo Kupuna (ancião) do Halau (escola) que faço parte.

Em um nível espiritual, ALOHA é a invocação para o divino e MAHALO é a prece divina. Ambas são o conhecimento para aproximar-se da divindade ALOHA [Alo = presença, frente, rosto] + [há = respiração] “A presença da respiração divina” MAHALO [Ma = dentro] + [há = respiração] + [alo = presença, frente, rosto]

“Que você esteja dentro da respiração divina.” Pense nelas como palavras únicas de bênçãos e preces. O que segue abaixo é a tradução aproximada destas palavras, usando o português para defini-las:

ALOHA:

  1. Aloha, amor, afeição, compaixão, misericórdia, simpatia, pena, sentimento, caridade; saudação, lembranças, amor, amante, o mais amada(o); amar, apaixonar-se por, mostrar pesar, misericórdia; venerar, lembrar com afeição. Olá, Tchau, até logo, Passe bem.

Aloha oe! [ah loh’ hah oe!]: Que você seja amado! Saudação para alguém, dar boas-vindas.
Aloha kâua! [ah loh’ hah KAH’oo (w)ah!]: Que oconteça amizade ou amor entre nós! Saudações para você e para mim!
Aloha kâkou! [ah loh’ hah KAH’ kou!]: O mesmo que acima, só que para mais de uma pessoa.
Ke aloha nô! [ah loh hah NOH’]: Aloha com certeza!
Aloha! [ Ah loh’ hah!] Como saudação.
Aloha au iâ `oe [ah loh’ hah vau’ ee (Y)AH’ oe]: Eu amo você!

MAHALO

  1. Obrigado, gratidão; agradecer. Mahalo nui loa. [mah hah’ loh noo'(w)ee loh'(w)ah]: Muito obrigado. Ôlelo mahalo [OH’ leh loh mah hah’ loh]: Cumprimentos.
    Mahalo â nui [mah hah’ loh (W)AH’ noo'(w)ee]: Muito obrigado.
  2. Admiração, estima, respeito; admirar, rezar, apreciar.
    O wau nô me ka mahalo [oh vau NOH’ meh kah mah hah’loh]: Respeitosamente

Fontes de pesquisa: Pukui, Mary Kawena & Elbert, Samuel H., HAWAIIAN DICTIONARY, University of Hawai`i Press, Honolulu.

(Boletim Huna, n° 124)

  • Colaboração da associada Solange Dal Pizzol De Toni

() *Antônio Carlos Cardoso é profundo conhecedor do folclore e das tradições havaianas. Professor de dança da Hula(1). Ele já esteve participando ativamente de eventos promovidos pela Associação de Estudos Huna em nossos seminários com sua esposa e grupo de dança havaiana

(1) – Hula: A dança hula é uma forma de arte havaiana que expressa canções ou poemas cantados através de movimentos corporais e gestos. É uma dança narrativa que representa visualmente o significado das palavras, acompanhada de cantos e instrumentos tradicionais. A hula é profundamente enraizada na cultura havaiana e pode ser tanto uma forma de entretenimento quanto uma prática espiritual e religiosa.

Elaborando mais sobre a dança hula:
História e Significado:
A hula tem uma longa história, sendo parte integrante da cultura havaiana por séculos. Antes do contato com o Ocidente, era usada em cerimônias religiosas para homenagear deuses e chefes, contar histórias e explicar fenômenos naturais.

Tipos de Hula:
Existem dois estilos principais de hula: o hula kahiko (antigo) e o hula ‘auana (moderno). O hula kahiko é mais tradicional, acompanhado por instrumentos antigos e cânticos, enquanto o hula ‘auana é mais influenciado pela cultura ocidental e foca mais nos movimentos e na expressão.

Movimentos e Gestos:
A hula é caracterizada por movimentos fluidos dos quadris, braços e mãos, que representam o significado das canções e poemas. Cada movimento e gesto tem um significado específico e pode representar elementos da natureza, sentimentos ou histórias.

Música e Cantos:
A hula é acompanhada por cantos (oli) e canções (mele), que podem ser entoados por um cantor ou um grupo. Os instrumentos tradicionais, como a cabaça, o pahu (tambor) e as varas de bambu, também são usados para criar o ritmo e a atmosfera da dança.
Cultura e Espiritualidade:
A hula não é apenas uma forma de dança, mas também uma parte importante da identidade cultural havaiana. É uma forma de expressar a conexão com a natureza, os ancestrais e a própria espiritualidade.

Apresentações e Treinamento:
Atualmente, a hula pode ser vista em apresentações públicas, festivais e cerimônias, e também ensinada em escolas e grupos de dança. O treinamento de hula envolve anos de dedicação e prática para dominar os movimentos e a técnica, além de aprender sobre a cultura e a história havaiana.

https://youtu.be/PKHgrO-nkCo?si=pduHHLouAQlZg879

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Kala e o perdão

Tenho falado muitas vezes sobre as formas de desbloquear o caminho, a senda ao Eu Superior (Aumakua), como um alvo importante dentro da HUNA. Porém descobri, felizmente, que a condição número um é PERDOAR A SI PRÓPRIO.

Através de nossa vida, desde a mais tenra infância, vimos fazendo escolhas conscientes ou inconscientes, que nos levam a cometer ou realizar atos que classificamos como BONS ou MAUS, às vezes até mesmo um simples pensamento. Essa classificação é feita de acordo com nossos condicionamentos sociais, familiares, espirituais etc. Esses atos ou simples pensamentos quando considerados maus pelo Eu Básico(Unihipili) podem causar-nos uma sensação de culpa, na maioria das vezes sem percebermos ou darmos conta disso. De modos que, para que se quebre esse esquema.

ESCOLHER 》ERRAR (ou acertar) 》CULPAR-SE (ou recompensar-se) por muitos chamados de karma e que nós da HUNA sabemos poder ser resgatado totalmente, é preciso quebrar o padrão do circulo vicioso acima através do PERDÃO. Esse perdão começa por nós próprios.

Como é que posso me sentir digno de receber o que desejo, ser merecedor, se não me perdôo por aquilo que Eu Básico (Unihipili) classificou como MAU segundo seus arquivos ainda não racionalizados pelo Eu Médio (Uhane)?

Então sugiro que, ao acordar todas as manhãs e também ao deitar-se, você repita em voz alta, sempre que possível:

EU. … (seu nome), ME AMO, ME PERDÔO E ME ACEITO TOTAL E COMPLETAMENTE.

Um cuidado adicional deverá ser tomado pelas mulheres casadas que mudaram de nome: descobri, ao fazer essas afirmações, que, e mim, meu Eu Básico ainda conservava o nome de solteira. Não havia reconhecido ou aceitado meu nome de casada, alterado por questões vibratórias, eliminando totalmente o sobrenome de solteira.

Então é preciso dizer: “EU FULANA/O DE TAL….. MAS AGORA FULANA/O DE TAL.. etc. São pequenos detalhes que nos ensinam a nos relacionarmos com nosso Eu Básico, quando começamos a aplicar a HUNA de verdade em nosso viver diário.

PROCESSO DE KALA
(desbloqueio)

Perdoe-se totalmente.
Liberte-se totalmente de qualquer culpa: “Perdoe a todos por tudo, totalmente -Não conserve mágoas -Não culpe a ninguém por nada -Aceite total responsabilidade -Creia totalmente em si próprio/a. Aceite e permaneça desejoso/a de usar a energia Universal como sua própria. -Dê total AMOR, sem restrições”.

Então descobrimos que nós não podemos ter tudo o que desejamos, mas PODEMOS TER (repito) PODEMOS TER TUDO que acreditamos MERECER, de acordo com nosso próprio julgamento, feito com base na memória do Eu Básico (leia este parágrafo várias vezes). Porque tudo é uma questão de merecimento.

E continue aplicando a HUNA todos os dias, todos os momentos e todos os segundos de sua preciosa vida!

-ALOHA-
Ceres Elisa da Fonseca Rosas

  • Ceres foi quem trouxe a Huna para o Brasil e também uma das fundadoras da Associação de Estudos Huna no Brasil. Também é autora do livro “Caminho ao Eu Superior Segundo os kahunas”
    Se quiser baixar o livro clique aqui https://doceru.com/doc/n85x8x8s e digite os caracteres do código que nas vai aparecer.

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AFORISMOS DA PSICOFILOSOFIA HUNA

1) “Tudo o que é desconhecido deve se tornar conhecido”. Grito que os kahunas davam na torre do oráculo. Pode ser interpretado como: Você pode compartilhar o “Segredo” com quem você quiser. A Huna está aberta a todos, e seus princípios, podem ser usados por qualquer um, desde que queira obter os benefícios desse conhecimento.

2) “Uma vida para servir e não para ferir”. “Quando escolhemos servir aos outros, somos merecedores das boas coisas da vida. Quando criticamos os outros, o Unihipili sempre toma isso como uma alusão pessoal, pois estamos ferindo alguém. Compartilhar é servir.”

3) “Nenhum dano nenhum pecado”. É um chamado ao amor. Na Huna há uma lógica no sentido de uma conexão necessária entre acontecimentos. Se você comete violência, vai receber violência; se você ama, vai receber amor. Se você não tem dentro de si, não pode dar.

4) “Servir para merecer”. Com sentimento de mérito, o caminho para o Aumakua torna-se desobstruído, pois o Unihipili sente-se merecedor para obter a prece.

5) “Se você não está usando a HUNA, está trabalhando arduamente demais”. Quando você conhece os dez elementos da Huna, os usa e sabe o que quer, as coisas acontecem com mais facilidade. Quanto mais mana-fé você tem, menos mana-energia você precisa.

6) “Quem não estiver se divertindo, está errando o alvo”. Quando você está vivendo dentro de seu Sonho Básico, crescendo e evoluindo, estará se sentindo feliz.

7) “Você cria sua própria realidade”. (IKE) Você cria sua realidade através de suas crenças, expectativas, atitudes, desejos, receios, julgamentos, interpretações, sentimentos, intenções e pensamentos consistentes ou persistentes. Seus pensamentos influenciam seu mundo. Sua vida revela involuntariamente suas crenças. Só existe uma verdade, aquela que você decide que seja.

9) “Você é ilimitado”. (KALA) Não existe limites no seu mundo: nem uma barreira entre você e seu corpo; entre você e o mundo que o cerca; entre você e Deus. Qualquer divisão usada, são termos referentes a conveniências, uma vez que a separação é apenas uma ilusão útil. Essa idéia é representada pela aranha tecendo sua teia com finos fios vindos de dentro. Da mesma forma, nós tecemos o sonho da vida dentro de uma grande Teia Aka. As únicas limitações que temos são aquelas que nós mesmos nos impomos.

10 ) “A energia segue o curso do pensamento”. (MAKIA) Você consegue aquilo em que se concentra conscientemente ou não. Forma o molde, através do qual são atraídas para sua vida, as experiências equivalentes a seus pensamentos e sentimentos. A atenção sustentada, isto é, Uhane e Unihipili focalizados na mesma coisa, ao mesmo tempo, canalizam a energia do universo para fazer acontecer a manifestação daquilo que desejamos. Tudo é energia, e um tipo de energia pode ser transformado em outro.

11) “Seu momento de poder é agora”. (MANAWA) Você não está limitado por experiências do passado ou do futuro, por que o passado é apenas uma lembrança e o futuro é mera possibilidade. Você tem a força do aqui/agora para mudar as crenças limitadoras e conscientemente, plantar as sementes para um futuro de sua escolha. Quanto maior a presença, maior a influência e a eficácia.

12) “Amar é estar feliz com…”
(ALOHA) É compartilhar alegria, afeição, tudo o que nos faz felizes. Amar intensamente significa estar profundamente ligados; e a profundidade e clareza da ligação crescem quando medo, raiva, dúvida desaparecem, pois dão origem às críticas e julgamentos negativos. O atributo desse Princípio é Abençoar, reforçando sempre o que há de positivo através de pensamentos, palavras e atitudes.

13) “Todo o poder vem de dentro”. (MANA) O poder vem da permissão. Damos permissão a alguma coisa quando lhe atribuímos poder. Você pode dar ou tirar poder a qualquer coisa, pessoas, fatos, lugares, acontecimentos passados…

14) “A eficácia é a medida da verdade”. (PONO) Quanto mais verdadeira uma coisa é, maior será sua eficácia. É o resultado prático da aplicação de nossos conhecimentos. Devemos ter a flexibilidade do Tecelão de Sonhos em nossa vida, e essa, implica em termos uma visão mais ampla para tecermos nossos sonhos e ajudarmos os outros a tecerem os seus.

Compilação de
Solange Dal Pizzol De Toni
Grupo Paz, Veranópolis – RS

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Por que Eu Gosto de Praticar Huna

Por Fernanda Luz*

O primeiro contato com Huna aconteceu numa tarde de domingo, daquelas em que o tédio parece uma entidade viva, ocupando todos os cantos da casa. Eu folheava uma revista antiga quando encontrei um artigo sobre filosofias havaianas. Ali estava, em letras pequenas, uma palavra que mudaria minha percepção: Huna.

Huna, explicava o texto, não é apenas uma filosofia, mas uma forma de viver em harmonia com o universo. Os antigos kahunas, os mestres havaianos, compreendiam que existem três aspectos do ser: o Eu básico (Unihipili), o Eu consciente (Uhane) e o Eu superior (Aumakua).

Como uma dança coordenada, esses três níveis precisam estar em sintonia para que a energia vital, o “mana”, flua livremente.

No início, confesso, parecia apenas mais uma dessas filosofias exóticas que atraem ocidentais em busca de respostas fáceis. Mas algo me fez dar uma chance. Talvez fosse o princípio chamado “Ike”, que significa “o mundo é o que você pensa que ele é”. Ou talvez o “Kala”, que nos lembra que “não há limites, tudo é possível”.

Comecei com práticas simples. A respiração Ha — inspirar visualizando luz, segurar brevemente e expirar pronunciando “Haaa(longo)” — tornou-se meu ritual matinal. Aos poucos, percebi que não era apenas um exercício físico, mas uma forma de conectar-me com o “mana”, a energia que permeia tudo.

Os sete princípios de Huna tornaram-se bússolas para minhas decisões cotidianas. “Makia” (concentração de atenção) me ensinou que onde vai a atenção, vai a energia. Quando me pego perdendo tempo com preocupações inúteis, lembro-me desse princípio e redireciono meus pensamentos.Mas o que realmente me conquistou foi “Aloha”, o princípio do amor. Não aquele amor romanesco das novelas, mas um amor consciente, uma presença diante da vida.

Aprendi que abençoar situações difíceis, em vez de resistir a elas, transforma não apenas a situação, mas principalmente a mim mesmo. E por via de consciência, desse aprendizado, foi fluindo em mim um profundo sentimento de gratidão.

Certa manhã, presa no trânsito de uma grande avenida, percebi que estava tensa, resmungando contra tudo e todos. Lembrei-me então de “Aloha” e decidi abençoar aquele engarrafamento. Não aconteceu nenhum milagre — o trânsito continuou lento — mas algo mudou dentro de mim. A tensão foi substituída por uma calma inesperada, como se aquela situação tivesse perdido o poder de me afetar negativamente.

Pratico Huna não porque acredito que isso me dará superpoderes ou uma vida sem problemas. Pratico porque, entre tantas filosofias que já experimentei, esta me ensinou algo precioso: a felicidade não está nos eventos externos, mas na forma como nos relacionamos com eles.

Não sou uma kahuna, nem pretendo ser. Sou apenas alguém que descobriu, através desses ensinamentos tão simples, que todos os dias podemos escolher entre resistir à vida ou fluir com ela. E quanto mais escolho fluir, respeitando os sete princípios, mais percebo que a “magia huna” não está em algum ritual exótico, mas na simplicidade de uma mente em paz.

Quando as pessoas me perguntam sobre Huna, geralmente esperam ouvir sobre práticas místicas ou experiências sobrenaturais. Desaponto-as com minha resposta simples: “Pratico Huna porque me ajuda a lembrar que sou responsável por minhas experiências e minhas escolhas e que tenho o poder de transformá-las através dos meus pensamentos e ações.

No mundo acelerado em que vivemos, onde a distração é constante e a ansiedade parece inevitável, encontrar uma filosofia que nos convida a respirar profundamente e a viver com presença é, no mínimo, um alívio.

E é por isso que, mesmo nos dias difíceis, continuo a praticar. Porque Huna não é sobre escapar da realidade, mas sobre criar uma realidade mais harmoniosa, começando pelo nosso mundo interior. E a prática diária me torna uma pessoa melhor para mim mesma e para os outros.

Por isso recomendo à todos o estudo e a prática da Huna. “Nana i ke kumu“– um dos ensinamentos mais profundos da Huna – significa: “olhe para a fonte”. E a fonte de toda transformação, descobri, está dentro de nós. Amama!

*Fernanda Luz, é terapeuta holística e autora de livros sobre espiritualidade. Fernanda, começou a escrever crônicas sobre suas experiências com práticas espirituais diversas, sendo a Psicofilosofia Huna sua principal referência.