
Posts by Heloisa Emer
Imaginação e Crenças

A imaginação desempenha um papel importante em nossa vida subjetiva, dá mobilidade a nossas crenças, o uso apropriado pode acionar ideias na direção que desejamos. É um dos agentes que ajudam a transformar crenças em experiências físicas. Com o conhecimento consciente, nossa mente e imaginação, ligadas ao cérebro, se desenvolverão, seguindo certos caminhos. Em parte, nossa imaginação e emoções seguem nossas crenças, onde alguns padrões são gerais.
É vital compreender a inter-relação das ideias e imaginação, a fim de desalojar crenças inadequadas e estabelecer novas. Ao aprendermos usar a imaginação moveremos conceitos para dentro e fora da nossa mente. Crenças sempre mudam, agora adultos, realizamos atividades que quando crianças, parecia ser impossível. Aos três anos de idade, acreditávamos que era perigoso atravessar a rua. Aos trinta, esperamos ter descartado essa crença, embora ela tenha sido muito adequada e necessária na infância. Nossa mãe pode ter reforçado essa crença, de maneira telepática e verbal, com imagens terríveis do perigo que havia em atravessar a rua, talvez carreguemos conosco o medo emocional e alimentemos imagens de possíveis acidentes.
Emoções e imaginação seguem a crença, quando esta se desvanece, o contexto emocional não é mantido e nossa imaginação se volta para outras direções. Crenças mobilizam automaticamente seus poderes emocionais e imaginativos, poucas são apenas intelectuais.
Ao examinarmos os conteúdos de nossa mente consciente, precisamos aprender, ou reconhecer, as conotações emocionais e imaginativas ligadas a uma determinada ideia. Há várias formas de alterar a crença, substituindo-a pelo oposto.
Infância e as Crenças

É necessária uma aquiescência a crenças, especialmente no início da vida, mas não há razão para ficarmos presos a crenças ou experiências da infância. O problema de algumas dessas crenças é que, embora algumas sejam obviamente reconhecidas como prejudiciais ou tolas, outras ligadas a elas podem não ser tão facilmente compreendidas.
Imaginemos a crença no pecado original, não é óbvio o fato de que muitos de nossos atos são motivados por uma crença na culpa. Existe uma ligação entre as crenças, mas não estamos acostumados a examiná-las. Podemos dizer: “Estou acima de meu peso porque me sinto culpado sobre algo do meu passado.” Poderemos tentar descobrir o que aconteceu, mas nesse caso, o problema é uma crença na própria culpa.
Não precisamos carregar uma crença específica, nossa civilização tem por base ideias de culpa e punição. Muitos de nós têm medo de que, sem um sentimento de culpa, não haja disciplina interior e o mundo enlouqueça. O mundo está enlouquecido, não a despeito de nossas ideias de culpa e punição, mas, em grande parte, por causa delas.
Ideias passadas por nossos pais estruturam nossas experiências de aprendizado, estabelecem fronteiras seguras dentro das quais atuamos em nossos primeiros anos de vida e nos dias atuais.
Estrutura das Crenças

Formamos a estrutura de nossa experiência por meio:
- Crenças,
- Expectativas.
As idéias pessoais sobre nós mesmos e a natureza da realidade afetarão:
- Pensamentos,
- Emoções.
Tomamos crenças sobre a realidade como verdadeiras. Em geral não questionamos, parecem autoexplicativas, aparecem na mente como declarações óbvias para serem examinadas, com frequência aceitas, sem perguntas. Não reconhecemos como crenças sobre a realidade, consideradas como características da própria realidade. Em geral essas idéias parecem irrefutáveis, fazendo parte de nós, não especulamos sua legitimidade, tornam-se suposições invisíveis, colorem e formam nossa experiência pessoal.
Alguns não questionam suas crenças religiosas, aceitando-as como fato. Outros acham comparativamente fácil reconhecer tais suposições interiores quando elas aparecem em um contexto religioso, mas tem pouco discernimento no que se refere a outros tipos de crenças.
É mais simples reconhecer as crenças em relação à religião, política ou assuntos semelhantes, do que identificar as mais profundas crenças sobre nós mesmos, sobre quem e o que somos, particularmente em relação à nossa própria vida. Muitos de nós, somos completamente cegos para as próprias crenças a respeito de si e da natureza da realidade.
Podemos ter pistas sobre nossos pensamentos conscientes, muitas vezes nos recusamos a aceitar certos pensamentos que vêm à nossa mente porque conflitam com outras idéias geralmente aceitas. Nossa mente consciente está sempre tentando apresentar-nos um quadro claro, mas muitas vezes permite que idéias preconcebidas bloqueiem essa inteligência.
Crenças

Criamos experiências através das crenças sobre nós e da natureza da nossa realidade, com nossas expectativas, atitudes diante de nós mesmos e da vida em geral.
Elas formam a “tonalidade sensível” que governa grandes áreas de nossa experiência, dão a coloração emocional geral que caracteriza o que nos acontece, ou seja, somos o que nos acontece.
Nossos sentimentos são transitórios, por baixo deles, encontram-se certas realidades emocionais exclusivamente nossas, como profundos acordes musicais. Nossos sentimentos cotidianos oscilam com as tonalidades sensíveis que lhes caracterizam, mas continuam subjacentes.
Às vezes sobem à superfície, em ritmos longos, não podemos chamar estas sensações de positivas ou negativas, são tonalidades, representam porções íntimas de nossa experiência. Não significa que sejam ocultas ou que devam sê-lo, representam o núcleo a partir do qual formamos nossa experiência.